Era um domingo. Esses dias já são diferentes de todos os demais dias da semana. O domingo é um dia particular, de verdade. As manhãs de domingo são inspiradoras; possuem um ar de um dia relaxante e que trazem ventos de esperança para o início de uma nova semana. Em compensação as noites de domingo são deprimidas e vazias. As pessoas dormem cedo, ou tentam dormir. As noites de domingo trazem aquele ar de decepção ao se lembrar que o dia seguinte é segunda-feira e tudo voltará ao seu lugar e a toda a correria frenética novamente, e o pior: com a chegada da noite chegamos a conclusão que ainda faltam 7 dias para uma nova manhã dominical.
O meu dia foi frio e vazio desde o início. Embora pela manhã eu ainda procurasse razões para acreditar que tudo poderia voltar ao normal e teria sido nada mais que mais uma das milhões de brigas (como sou tolo!). Evitei o contato direto ao longo de toda a manhã. Fui covarde. Admito. Não queria correr o risco de uma nova briga, ou pior, da triste realidade de ser ignorado e desprezado.
Fiz de tudo para me ocupar e não pensar e não procurar mandar uma mensagem ou ligar, menos ainda aparecer na casa dela, em um ato desesperado de olhar para aqueles lindos olhos que me fazem me perder.
Mergulhei no playstation e fingi que meu mundo tinha retornado ao período em que tinha 16 anos. Nada importava tanto quanto passar aquela fase ou descobrir o que estava por trás daquela história macabra onde eu exercia o papel de herói, pelo menos por alguns momentos. Não funcionou por muito tempo. Logo me recordei que o videogame é uma ótima distração, mas depois dos 21 acredito que ele vai muito bem como passatempo entre o sexo e o beijo na boca, nada além disso. Ok. Estou exagerando. Mas o que quero dizer é que mesmo que eu adore me debruçar no universo fantasioso, não consigo mais me desgrudar da realidade enquanto tenho algo que preciso resolver em minha vida, principalmente quando esse problema está relacionado aos sentimentos amorosos.
Não resisti e mandei mensagem. A desgraça estava feita e não tinha como reverter. Fui rechaçado como o previsto e fiz o que pude para manter a pouca conversa embora fosse perceptível que eu era a última pessoa de todo o universo com quem ela gostaria de estar conversando, mesmo que através de meras mensagens em seu celular. A conversa/briga/ quase-barraco durou algumas horas até os dois estarem completamente exaustos e ocupados com afazeres domésticos de um domingo.
Por fim, tentei mais uma vez convencê-la de que um encontro poderia sanar nossas diferenças. Não obtive sucesso em convidá-la para apreciar o pôr-do-sol, nem mesmo para fazer um lanche ou jantar. Previsivelmente fui afastado a todo custo.
Meu dia terminou fúnebre, como já terminam os domingos. Mas para piorar tudo, tive a estranha sensação de que preferiria estar correndo o risco de ser assaltado caminhando a passos bem largos e com a respiração completamente ofegante, em meu caminho de volta para a casa, após um dia praticamente inteiro dedicado a estar com ela. Infelizmente fiquei apenas na saudade. Ela não quis me responder mais e intencionalmente ou não me torturou com a angústia da falta de uma resposta. Fui dormir bem triste e chateado. Sinto uma falta dela absurdamente grande.
Nenhum comentário:
Postar um comentário