terça-feira, 11 de agosto de 2015

Dia 1 - O início do fim dos tempos

Era um domingo. Esses dias já são diferentes de todos os demais dias da semana. O domingo é um dia particular, de verdade. As manhãs de domingo são inspiradoras; possuem um ar de um dia relaxante e que trazem ventos de esperança para o início de uma nova semana. Em compensação as noites de domingo são deprimidas e vazias. As pessoas dormem cedo, ou tentam dormir. As noites de domingo trazem aquele ar de decepção ao se lembrar que o dia seguinte é segunda-feira e tudo voltará ao seu lugar e a toda a correria frenética novamente, e o pior: com a chegada da noite chegamos a conclusão que ainda faltam 7 dias para uma nova manhã dominical.
O meu dia foi frio e vazio desde o início. Embora pela manhã eu ainda procurasse razões para acreditar que tudo poderia voltar ao normal e teria sido nada mais que mais uma das milhões de brigas (como sou tolo!). Evitei o contato direto ao longo de toda a manhã. Fui covarde. Admito. Não queria correr o risco de uma nova briga, ou pior, da triste realidade de ser ignorado e desprezado.
Fiz de tudo para me ocupar e não pensar e não procurar mandar uma mensagem ou ligar, menos ainda aparecer na casa dela, em um ato desesperado de olhar para aqueles lindos olhos que me fazem me perder.
Mergulhei no playstation e fingi que meu mundo tinha retornado ao período em que tinha 16 anos. Nada importava tanto quanto passar aquela fase ou descobrir o que estava por trás daquela história macabra onde eu exercia o papel de herói, pelo menos por alguns momentos. Não funcionou por muito tempo. Logo me recordei que o videogame é uma ótima distração, mas depois dos 21 acredito que ele vai muito bem como passatempo entre o sexo e o beijo na boca, nada além disso. Ok. Estou exagerando. Mas o que quero dizer é que mesmo que eu adore me debruçar no universo fantasioso, não consigo mais me desgrudar da realidade enquanto tenho algo que preciso resolver em minha vida, principalmente quando esse problema está relacionado aos sentimentos amorosos.
Não resisti e mandei mensagem. A desgraça estava feita e não tinha como reverter. Fui rechaçado como o previsto e fiz o que pude para manter a pouca conversa embora fosse perceptível que eu era a última pessoa de todo o universo com quem ela gostaria de estar conversando, mesmo que através de meras mensagens em seu celular. A conversa/briga/ quase-barraco durou algumas horas até os dois estarem completamente exaustos e ocupados com afazeres domésticos de um domingo.
Por fim, tentei mais uma vez convencê-la de que um encontro poderia sanar nossas diferenças. Não obtive sucesso em convidá-la para apreciar o pôr-do-sol, nem mesmo para fazer um lanche ou jantar. Previsivelmente fui afastado a todo custo.
Meu dia terminou fúnebre, como já terminam os domingos. Mas para piorar tudo, tive a estranha sensação de que preferiria estar correndo o risco de ser assaltado caminhando a passos bem largos e com a respiração completamente ofegante, em meu caminho de volta para a casa, após um dia praticamente inteiro dedicado a estar com ela. Infelizmente fiquei apenas na saudade. Ela não quis me responder mais e intencionalmente ou não me torturou com a angústia da falta de uma resposta. Fui dormir bem triste e chateado. Sinto uma falta dela absurdamente grande.

domingo, 9 de agosto de 2015

Dia 0

O primeiro dia com toda certeza é o mais doloroso, mas a dor também pode ser vista já no dia anterior. O dia da briga;  o dia do juízo final de um relacionamento extenso. Nada pode parecer pior do que acabar de ter a certeza que todos aqueles planos compartilhados foram jogados para o espaço. Horas e horas de brincadeiras bobas pensando em tudo que seria possível conquistar juntos não valem de nada. Agora a vida é solitária e o passado parece um fantasma que teima em te assombrar.

Essa história começa 5 anos antes e começa com uma mentira. Talvez tenha sido esse o motivo de tudo não acabar bem agora. Uma mentira que foi gerada por conta de uma dúvida que atormentava no momento errado da vida, mas que acabou abrindo portas para tudo que veio adiante, e foi bastante coisa.

Era meados de 2010 e eu já estava cansado de me decepcionar com situações amorosas que não iam para frente e principalmente por um relacionamento fracassado que teimava em me perseguir, mesmo depois de todas as minhas frustradas tentativas de encerrar o assunto. Nesse momento posso considerar que tive a sorte de conhecer pessoas maravilhosas e muito divertidas, porém que não estavam muito bem em momentos de certeza na vida, o que me fez também começar a ter dúvidas.

Nenhum relacionamento que eu tinha seguia o fluxo e se consolidava, embora todas dissessem que eu era um cara legal e que nossa amizade era de grande valia. É impressionante a capacidade feminina de separar as pessoas que são agradáveis e companheiras dos possíveis casos amorosos. Eu vivia na constante friendzone e quando as coisas evoluíam um pouco era muito breve e logo rompia de vez.

Foi nesse período que comecei, com grandes chances de sucesso, um curto relacionamento que tinha grandes chances de sucesso, mas também conheci uma menina bem tímida e que mal conseguia olhar nos meus olhos sem rir compulsivamente e de nervoso.

Entre as possibilidades: começar um relacionamento com grandes chances de sucesso e arriscar uma mulher bem mais nova e ainda descobrindo tudo na vida. A primeira opção parecia o mais correto a seguir para um homem de 23 anos e iniciando sua carreira profissional no jornalismo com extrema dificuldade. Porém o destino parece que gosta de brincar incessantemente com a gente. E tudo que parecia certeza virou dúvida e tudo que estava consolidado se desfez como fumaça apenas por conta de uma noite. Um céu de estrelas que mudou 5 anos da minha vida.

O problema é que nada na vida é simples. Como eu poderia encerrar um ciclo sem causar dor e ao mesmo tempo abrir uma porta sem magoar? Isso foi o meu dilema até que sem muito o que fazer cometi o grande erro dessa história e menti. Mas como eu não posso me considerar bom nessa arte falsária, não segurei por muito tempo essa história e criei o primeiro problema de 5 anos de relacionamento logo nos primeiros 20 dias.

O que vem adiante parece não ser nada além de remendos de um mesmo problema, que por não ser solucionado acaba criando problemas maiores, como uma bola de neve em frenética descida e, portanto, em constante crescimento. Mas a história aqui não é para ser contada nos problemas e omissões e sim pelos sentimentos. Sentimentos esses, que considero, foram a coisa mais intensa e real já vivida por mim nas minhas quase 3 décadas.